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Eurípedes Barsanulfo

Mas quem é Eurípedes Barsanulfo? Vamos buscar uma afirmativa de Chico Xavier descrita no livro "Eurípedes, o Homem e a Missão": "Escrever sobre a vida de Eurípedes seria quase o mesmo que fazer a biografia de Jesus". Ainda no mesmo livro, temos a revelação de Emmanuel feita a Chico Xavier, dizendo que, nos tempos evangélicos, Eurípedes fora educado por Inácio, pupilo de João, o Evangelista, que se tornara grande propagador da Boa Nova. Adolescente ainda, Eurípedes substituira o benfeitor na pregação na Palestina, onde também manteve contatos com João e fora martirizado. Temos, então, uma pequena amostra da elevação do espírito desta criatura, nascida a primeiro de maio de 1880, na cidade de Sacramento (MG).

Logo cedo manifestou-se nele profunda inteligência e senso de responsabilidade, acervo conquistado naturalmente nas experiências de vidas pretéritas.

Um dos fatores que afligia muito a Eurípedes era a doença de sua mãezinha, que com freqüência apresentava crises nervosas. Por este motivo, desde cedo, Eurípedes se interessava pela leitura de livros de medicina, livros de homeopatia, com os quais julgava, futuramente, encontrar a cura para a doença de sua mãe. Isso o levou a criar, em 1897, então com 17 anos, a farmácia homeopática, com que atendia aos necessitados da periferia da cidade que buscassem sua ajuda e orientação.

Era ainda bem moço, porém muito estudioso e com tendências para o ensino, por isso foi incumbido pelo seu mestre-escola de ensinar aos próprios companheiros de aula. Respeitável representante político de sua comunidade, tornou-se secretário da Irmandade de São Vicente de Paula, tendo participado ativamente da fundação do jornal "Gazeta de Sacramento" e do "Liceu Sacramentano". Logo viu-se guindado à posição natural de líder, por sua segura orientação quanto aos verdadeiros valores da vida.

Em 1903, Eurípedes toma contato com a Bíblia, recebe-a das mãos de Padre Augusto Teodoro Maia. Ao ler o livro, Eurípedes levanta suas primeiras dúvidas com a leitura do sermão do monte e, procurando compreender as consolações prometidas pelo Cristo, busca respostas com o Padre Maia, que não o satisfazem. Nessa época, já havia na cidade de Sacramento, mais precisamente na Fazenda Santa Maria, reuniões de estudos de uma nova doutrina - Seria a doutrina Espírita - que se iniciaram por forças de fenômenos mediúnicos acontecidos na mesma Fazenda. Um dos responsáveis por estas reuniões era o Sr. Mariano da Cunha, o "Tio Sinhô", com quem Eurípedes freqüentemente discutia os diferentes pontos de vista religiosos. Até então, Eurípedes era católico e "Tio Sinhô", espírita. E não podendo responder à todas as indagações de Eurípedes, pois Tio Sinhô era um homem rude do campo, este lhe apresenta um livro que poderia explicar a Eurípedes o que ele não conseguia fazer. Era um exemplar do Livro "Depois da Morte", que Eurípedes devora a leitura em uma noite e confessava-se empolgado com a lógica convincente do autor que é Léon Denis. Desde então, Eurípedes passa também a se interessar pelo estudo da nova doutrina e a participar das sessões mediúnicas na Fazenda de Santa Maria, quando, então, em uma destas, Eurípedes roga mentalmente o esclarecimento para suas dúvidas acerca das bem aventuranças, e que estas pudessem ser esclarecidas pelo Apóstolo João, o Evangelista. Assim, então, esta resposta acontece através de um médium semi-analfabeto, numa linguagem sublime, onde finalmente Eurípedes compreendia, o mais perfeito código de consolações. Lembramos aqui como foi dito inicialmente, a ligação de Eurípedes com o Apóstolo João Evangelista.

Despertado e convicto, converteu-se sem delongas e sem esmorecimentos, identificando-se plenamente com os novos ideais, numa atitude sincera e própria de sua personalidade, procurou o vigário da Igreja matriz onde prestava sua colaboração, colocando à disposição do mesmo o cargo de secretário da Irmandade.

Repercutiu estrondosamente tal acontecimento entre os habitantes da cidade e entre membros de sua própria família. No meio de uma cidade católica, sofre todas as conseqüências da sua escolha. É criticado e abandonado pelos amigos, é obrigado a fechar o Liceu Sacramentano, é muitas vezes considerado como louco mas, embora abatido pelas lutas, em momento nenhum perde a fé em Deus e mantém-se firme no propósito de servir a todos aqueles necessitados que ali estavam junto a ele. É o próprio Vicente de Paula que vem em comunicação mediúnica lhe orientar que se desligue definitivamente da irmandade São Vicente de Paula e o convida a criar outra instituição, cuja base seria o Cristo, o Diretor espiritual seria ele próprio (Vicente de Paula) e Eurípedes, o Dirigente material. Recebe também uma mensagem de Maria de Nazaré, que lhe orienta não fechar as portas da Escola (Liceu Sacramentano), e que criasse então o Colégio Allan Kardec, onde ensinaria, entre outras tantas matérias escolares, o Evangelho de Jesus.

Eurípedes trabalhou incansavelmente horas a fio, dia após dia, sem reclamar, sem vacilar e sempre solícito às orientações que as pessoas iam lhe pedir. Enfrentou muitas lutas como homem terreno. Foi ameaçado de morte, sofreu inquéritos policiais, por exercício ilegal da medicina, e em nenhum momento vacilou diante do trabalho que lhe competia realizar aqui na Terra. É claro que também tinha o reconhecimento das pessoas com quem convivia e que também, de alguma forma, lhe auxiliavam nas tarefas; eram seus familiares, seus alunos e os próprios doentes que, ao se curarem com a receita do "Seu Eurípedes" traziam no íntimo o reconhecimento e a gratidão pelo convívio com este Espírito de escol.

Sob pressões de toda ordem e impiedosas perseguições, Eurípedes sofreu forte traumatismo, retirando-se para tratamento e recuperação em uma cidade vizinha, época em que nele desabrocharam várias faculdades mediúnicas, em especial a de cura, despertando-o para a vida missionária. Um dos primeiros casos de cura ocorreu justamente com sua própria mãe que, restabelecida, se tornou valiosa assessora em seus trabalhos.

A produção de vários fenômenos fez com que fossem atraídas para Sacramento centenas de pessoas de outras paragens, abrigando-se nos hotéis e pensões, e até mesmo em casas de famílias, pois a todos Barsanulfo atendia e ninguém saía sem algum proveito, no mínimo o lenitivo da fé e a esperança renovada e, quando merecido, o benefício da cura, através de bondosos Benfeitores Espirituais.

Auxiliava a todos, sem distinção de classe, credo ou cor e, onde se fizesse necessária a sua presença, lá estava ele, houvesse ou não condições materiais.

Jamais esmorecia e, humildemente, seguia seu caminho cheio de percalços, porém animado do mais vivo idealismo. Logo sentiu a necessidade de divulgar o Espiritismo, aumentando o número dos seus seguidores. Para isso fundou o "Grupo Espírita Esperança e Caridade", no ano de 1905, tarefa na qual foi apoiado pelos seus irmãos e alguns amigos, passando a desenvolver trabalhos interessantes, tanto no campo doutrinário, como nas atividades de assistência social.

Certa ocasião caiu em transe em meio dos alunos, no decorrer de uma aula. Voltando a si, descreveu a reunião havida em Versailles, França, logo após a I Guerra Mundial, dando os nomes dos participantes e a hora exata da reunião quando foi assinado o célebre tratado.

Em 1o. de abril de 1907, fundou então o Colégio Allan Kardec - o 1º Colégio Espírita do mundo (assim como Maria de Nazaré o orientou) , este se tornou verdadeiro marco no campo do ensino. Esse instituto de ensino passou a ser conhecido em todo o Brasil, tendo funcionado ininterruptamente desde a sua inauguração, com a média de 100 a 200 alunos, até o dia 18 de outubro, quando foi obrigado a cerrar suas portas por algum tempo, devido à grande epidemia de gripe espanhola que assolou nosso país.

Seu trabalho ficou tão conhecido que, ao abrirem-se as inscrições para matrículas, as mesmas se encerravam no mesmo dia, tal a procura de alunos, obrigando um colégio da mesma região, dirigido por freiras da Ordem de S. Francisco, a encerrar suas atividades por falta de freqüentadores.

Liderado a pulso forte, com diretriz segura, robustecia- se o movimento espírita na região e esse fato incomodava sobremaneira o clero católico, passando este, inicialmente de forma velada e logo após, declaradamente, a desenvolver uma campanha difamatória envolvendo o digno missionário e a doutrina de libertação, que foi galhardamente defendida por Eurípedes, através das colunas do jornal "Alavanca", discorrendo principalmente sobre o tema: "Deus não é Jesus e Jesus não é Deus", com argumentação abalizada e incontestável, determinando fragorosa derrota dos seus opositores que, diante de um gigante que não conhecia esmorecimento na luta, mandaram vir de Campinas, Estado de S. Paulo, o reverendo Feliciano Yague, famoso por suas pregações e conhecimentos, convencidos de que com suas argumentações e convicções infringiriam o golpe derradeiro no Espiritismo.

Foi assim que o referido padre desafiou Eurípedes para uma polêmica em praça pública, aceita e combinada em termos que foi respeitada pelo conhecido apóstolo do bem.

No dia marcado o padre iniciou suas observações, insultando o Espiritismo e os espíritas, "doutrina do demônio e seus adeptos, loucos passíveis das penas eternas", numa demonstração de falso zelo religioso, dando assim testemunho público do ódio, mostrando sua alma repleta de intolerância e de sectarismo.

A multidão que se mantinha respeitosa e confiante na réplica do defensor do Espiritismo, antevia a derrota dos ofensores, pela própria fragilidade dos seus argumentos vazios e inconsistentes.

O missionário sublime, aguardou serenamente sua oportunidade, iniciando sua parte com uma prece sincera, humilde e bela, implorando paz e tranqüilidade para uns e luz para outros, tornando o ambiente propício para inspiração e assistência do plano maior e em seguida iniciou a defesa dos princípios nos quais se alicerçavam seus ensinamentos.

Com delicadeza, com lógica, dando vazão à sua inteligência, descortinou os desvirtuamentos doutrinários apregoados pelo Reverendo, reduzindo-o à insignificância dos seus parcos conhecimentos, corroborado pela manifestação alegre e ruidosa da multidão que desde o princípio confiou naquele que facilmente demonstrava a lógica dos ensinos apregoados pelo Espiritismo.

Ao terminar a famosa polêmica e reconhecendo o estado de alma do Reverendo, Eurípedes aproximou-se dele e abraçou-o fraterna e sinceramente, como sinceros eram seus pensamentos e suas atitudes.

Barsanulfo seguiu com dedicação as máximas de Jesus Cristo até o último instante de sua vida terrena, por ocasião da pavorosa epidemia de gripe que assolou o mundo em 1918, ceifando vidas, espalhando lágrimas e aflição, redobrando o trabalho do grande missionário, que a previra muito antes de invadir o continente americano, sempre falando na gravidade da situação que ela acarretaria.

Manifestada em nosso continente, veio encontrá-lo à cabeceira de seus enfermos, auxiliando centenas de famílias pobres. Havia chegado ao término de sua missão terrena. Esgotado pelo esforço despendido, desencarnou no dia 1o. de novembro de 1918, aos 38 anos, vitimado pela gripe espanhola, rodeado de parentes, amigos e discípulos; mas, certamente, prossegue seu apostolado no plano espiritual, como vemos em mensagem psicografada por Chico Xavier, em 30/04/1950, quando ele mesmo nos diz: " - A nossa marcha continua e, como sempre, irmãos meus, confirmo a promessa de seguir convosco até a suprema vitória espiritual ".

Com isto, temos um breve resumo do que foi a vida deste missionário.

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Algumas frases atribuídas a Eurípedes Barsanulfo:

"A felicidade é igual, quer se encontre numa pessoa rica quer numa de condição humilde."

"Um amigo seguro revela-se na adversidade."

"Os que de uma situação desafogada caem num estado de penúria que lhes é estranho, esses, sofrem mais cruelmente do que quem foi sempre miserável."

"Trabalho, diz o provérbio, é o pai da fama."

"Quem quer que ceda por necessidade é um homem sábio que conhece o divino."

"Ter má fama quando morto não me importa."

"O amor é tudo que temos, o único caminho pelo qual um pode ajudar o outro..."

"O Amor verdadeiro é único e emana unicamente de Deus, e, portanto, nós somente amamos verdadeiramente quando ligados em Deus."

"Ampara e ajuda a todos, desde a criança desvalida, necessitada de arrimo e luz para o coração, até o peregrino sem teto, hóspede errante das árvores do caminho."

"Mãos vazias ou cabeça desocupada denunciam coração ocioso."

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Agradecimento:
espirito.org.br